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Carro + Bebida=….Hot Rods???
Sabem como foram criados os primeiros hot-rods? Durante a lei seca, bebuns inveterados dos estados do sul dos EUA não agüentavam ficar sem sua birita. Uísque. Bourbon, para ser mais exato, que é o uísque feito à base de milho.
Pois bem. A Lei Seca americana, como qualquer um que tenha visto “Os Intocáveis” sabe, determinava que a manufatura e venda de bebidas alcoólicas era proibida por lei. Seus infratores eram tratados como criminosos comuns e seu destino, quando pegos, era, invariavelmente, o xilindró.
A proibição nos EUA começou a valer por volta da década de 1840 e começou a perder força só na década de 1930, com o apoio de políticos importantes, como Franklin Roosevelt (que, logo depois que ajudou a acabar com a proibição ao álcool, elegeu-se presidente!).
Pois bem: na década de 1920, as pessoas começaram a criar adaptações ao veto à bebida. Os estados sulistas, grandes produtores de bourbon, então, começaram a criar bólidos mexidos, que eram dirigidos rapidamente, por estradas de terra, à noite. A bebida era contrabandeada num compartimento secreto abaixo do assoalho dos carros. Em geral, eram Ford T modificados, e seus comandos de válvulas (popularmente chamados de bielas, ou rods em inglês) aumentavam a potência dos carros.
Imagine o cenário: carros de polícia perseguindo, pela madrugada afora, em alta velocidade, Ford T’s em longas estradas de terra em meio a milharais vastos e infinitos. Deve ter sido uma época incrível!
Na década de 1930, os Ford Coupé passaram a ser os mais adotados para essa prática.
- Um Ford Cupê 1932 Hot Rod
Com o tempo, os policiais começaram a mexer em suas viaturas, para poder alcançar os contrabandistas, e a febre dos hot rods se instalou por todo aquele país. Um lugar no qual os jovens foram muito impactados por esses carros foi o sul da Califórnia, como demonstrado no vídeo do último post.
Em 1948, a revista Hot Rod foi lançada nos Estados Unidos, e, até hoje, é considerada uma importante publicação do jornalismo automotivo americano, ainda que não tenha o mesmo prestígio internacional de Road&Track e de Car and Driver.
Alguns anos depois, e os rachas seriam imortalizados e romantizados, com James Dean ao volante de um Chevrolet Special Deluxe 1941 em Juventude Transviada, de 1955.
Atualmente, o termo “Hot Rod” é aplicado para qualquer carro que apresente uma grande potência e atinja altas velocidades por meio da modificação de um ou mais componentes originais. Ainda assim, em inglês britânico, o termo é usado para se referir a qualquer carro muito rápido, ou seja, a um bólido.
Existem outras versões para a origem do termo, mas essa parece ser a mais aceita. Nos últimos anos, tanto o Discovery Channel quanto o The History Channel fizeram documentários muito legais sobre o tema, como esse aqui.
Hot Rods Históricos (em Vídeo)
Um projeto incrível , o 35mm Stock Footage, traz vídeos inéditos raríssimos das primeiras décadas do século XX e os disponibiliza em ótima qualidade (720 pixels de resolução).
Um deles é de uma corrida amadora ocorrida na década de 1940 na Carrell Speedway, uma pista na árida cidade de Gardena, nas cercanias de Los Angeles, Califórnia. O vídeo é bonito, mostra a alegria e a excitação dos jovens com os hot-rods que passam zunindo. Boa parte dessa vibração era a mesma que movia jovens nos Estados Unidos inteiro, uma geração que mais tarde ficaria conhecida como Beat, e cuja “Bíblia” é um livro que é uma ode aos amantes das estradas e, consequentemente, dos automóveis: “Pé na Estrada” (On the Road) de Jack Kerouac. Enfim, esse livro fica para outro post. Vejam o filme, porque vale a pena pela beleza das imagens e pelo registro histórico.
OBS: Como bem notou o leitor Wélton Silveira, o vídeo não tem áudio.
A própria história da Carrell Speedway é interessante: ela foi construída por um sujeito chamado…Malloy! Não, ele não se chamava Carrell, he he. Emmett J. Malloy era um entusiasta das corridas e correu ao lado de lendas dos hot-rods americanos nas décadas de 1940 e 1950. Decidiu construir a pista num terreno enorme numa das áreas mais áridas da cidade (como pode-se ver no filme). Seu filho, Tom Malloy, foi também piloto e dirigente de equipes automobilísticas nos EUA.
Nos últimos anos ele esteve envolvido na construção do circuito grandioso de Fairmont Butte Motorsports Park, na cidade de Corona, Califórnia, não muito longe de onde ficava a Carrell Speedway.

