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Senna e o Alemão (não, não era o Schumacher)

Monaco, julho de 1984. Ayrton Senna dirigia um carro de Fórmula 1 definitivamente inferior aos das grandes escuderias. Era o famigerado Toleman TG184, com motor Hart 415T, 1.5. Foi com esse carro que Senna saiu em 13º e acabou a prova em 2º lugar, feito bem retratado no filme recente de Asif Kapadia, Senna. Nas últimas voltas, Senna chegou a estar a 4,5 segundos atrás do primeiro colocado, o piloto que ganharia a prova, Alain Prost.

Contudo, por mais magnífico que Senna fosse – e ele certamente foi – um outro jovem talento despontava naquela prova: o alemão Stefan Bellof.

Dois anos e meio mais velho do que Senna, com 26 anos, Bellof, assim como o brasileiro, fazia sua estreia na Fórmula 1 naquela temporada, por outra equipe inglesa, a Tyrrell. E, naquela tarde chuvosa em Monte Carlo, embora chegasse em terceiro lugar, atrás de Senna e Prost, seu feito não foi menor do que o de nenhum dos dois. Saiu em 20º, e, com o carro da Tyrrell equipado com motor Ford Cosworth 2.9, chegou em terceiro. Está certo que há uma controvérsia toda em torno do Tyrrell 012, um carro cheio de irregularidades, o que custou à equipe um banimento da temporada de 1985 imposto pela FISA. Porém, não deixa de ser algo louvável, numa pista traiçoeira, molhada, cheia de grandes nomes do automobilismo da época, como Prost, Lauda, Mansell, Picquet, ganhar 17 posições. E mais: as estatísticas diziam que, no exato momento em que Senna estava a 4,5 segundos de Prost, pouco antes dos juizes decidirem terminar a prova, Bellof, mantida a corrida e seu ritmo, (e todas as variáveis continuassem iguais, tanto da parte de Senna quanto de Prost), chegaria em Prost em 4 segundos, pois ia mais rápido que Senna. Isso foi dito na transmissão do evento, à época. Muitos anos depois, soube-se que Senna estava com a suspensão nas últimas, quando a corrida terminou, à 31 voltas, e, com isso, Bellof – continuada a corrida – deveria ultrapassar tanto Senna quanto Prost.


Bellof é  o grande ídolo e a inspiração  de Michael Schumacher. Até hoje, mantém o recorde de tempo, como a volta mais rápida no anel norte (Nordschleife) do lendário autódromo Nürburgring: percorreu os quase 21 km em 6min11s, à bordo de um Porsche 956.

Assim como Senna, morreu num acidente em pista, um ano depois do GP de Monaco, aos 27 anos, quando corria as Mil Milhas de Spa-Francorchamps, a bordo do mesmo Porsche 956 com o qual quebrou o recorde da mais famosa pista do automobilismo europeu.

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