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Cadillac para o Povo
“Peguei meu Cadillac
Mil novecentos e sessenta
E nele me sentia
Com metade de quarenta
Em meu Cadillac, meu Cadillac
Saí pela cidade me sentindo um jovenzinho
E na primeira esquina
Parei ao lado de um brotinho
Meu Cadillac, meu Cadillac
E o brotinho do meu lado
Ao sair deixou comigo o meu passado”
Assim cantava Roberto Carlos na música que leva o nome da icônica marca de carros americana da GM. E o tal do Cadillac, ou Caddy como é carinhosamente chamado nos EUA, sempre foi um sonho distante para a maioria da população, um mito de quatro rodas. E até nos EUA até hoje é assim. A marca é aquela que evoca o espírito mais essencial do carro americano: motorzão em V, conforto, muito conforto, dimensões exacerbadas. Mas o Cadillac tentou ser acessível. E até aqui no Brasil, muita gente nunca nem notou, mas já teve um autêntico Caddy na garagem.
Nos início dos anos oitenta, a GM resolveu dar à marca um carro com conceito diferente dos outros Cadillacs: um compacto. Como? Fez o que toda montadora americana fez, faz e faria: aproveitou uma plataforma existente que possuía em seu amplo conglomerado industrial, que à época já incluía a européia Opel.
O “little Cadillac” respondia pelo nome de Cimarron, uma cadeia montanhosa no Colorado. E a plataforma que a GM usou para servir de base para ele? Foi a Plataforma J, a mesma em que se baseava os modelos americanos Buick Skyhawk, Pontiac Sunbird, Oldsmobile Firenza e o europeu Opel Ascona, conhecido por essas terras de Cabral como Chevrolet Monza.
O Cimarron criado para fazer frente às vendas altas dos compactos da Mercedes-Benz e não passou nem perto de realizar seu objetivo. Foi comercializado de 1982 a 1988. O lendário colunista automotivo da Car and Driver americana – e uma das lendas do jornalismo automotivo – Brock Yates, usou-o como exemplo mais patente da decadência e da obsolescência da indústria automotiva americana no final dos anos setenta e todos os oitenta. Yates lançou seu livro, no qual aborda o problema, em 1983, um ano após o lançamento do Cimarron. A obra, intitulada The Decline and Fall of the American Automobile Industry (O Declínio e o Fracasso da Indústria de Automóveis Americana) fala do relapso da GM em construir cinco ou mais carros sobre a mesma plataforma, ao invés de investir em inovação. Outro dos concorrentes que a GM pretendia combater com os carros da plataforma J era o Honda Accord, em sua primeira versão. O resultado foram carros totalmente defasados em relação ao que o japonês, já naquela época, oferecia.
Mais tarde, em 2007, a revista TIME colocou o Cimarron na lista de piores carros de todos os tempos. Em 2010, foi a vez da Forbes incluir o carro na lista Veículos de Fracasso Lendários.
Em 2009, a CNN escreveu uma história chamada GM’s Car Heap (em bom português, “o Monte de M**** da GM”). Do que falava o texto? Entre outras coisas, do nosso amiguinho Cadillac-Monza.
Mas quão ruim era o carro? Bem, vamos às especificações técnicas:
Peso: 1150 kg
Tanque: 52 litros
Motor: 4 cilindros, 2.0; 4 cilindros 1.8 e 2.8 V6 (a partir de 1985)
Potência: 87 cv (2.0), 85 cv (1.8) e 125 cv (2.8)
0-100 km/h: n/d
Suspensão: McPherson (frente) e Barra de Torsão (trás)
Velocidade Máxima: 167 km/h
Consumo: 8 km/l (urbano)
Um bólido, não?
Não.
***
Bem, mas teve ainda outro Cadillac que, como o Cimarron, pode ser encontrado rodando as ruas brasileiras: O Catera. Dá uma olhada:
Reconhece?
Acertou quem falou que é o nosso Omega B, tal como vendido aqui de 2000 até 2007.
Esse, porém, um carro bem melhor. Acabou não fazendo lá muito sucesso nos EUA. Foi vendido de 1997 até 2003, sendo que depois de 2001, as vendas foram restritas a somente alguns poucos estados. Em seu ano de despedida vendeu míseras 15 unidades!! Suas especificações, no entanto, eram bem melhor que as do Cimarron: Motor 3.0 V6 (o Omega nosso vinha com motor 3.8 V6 de 200cv e depois de 2005, motor 3.6 de 254 cv), de 200 cv. Sua velocidade máxima era de 200 km/h (pois a Cadillac decidiu colocar um limitador de velocidade, como se o Catera fosse um hot rod, pff, haha! Faz-me rir, GM!). Aqui no Brasil, o Omega rodava com potência total, e chegava a 224 km/h.
Nada especial. Mas, mesmo assim, bem menos vexatório que o desempenho do Cimarron, o Cadillac do Povo.
Propaganda? Para quê?
Já viu a nova M5? Não? Quer ver?
Durante uma propagando de pouco menos de 1 minuto e meio, três BMW’s M5, uma branca, uma preta e uma azul queimam o asfalto numa pista de um aeroporto (serão os estúdios da BBC?) e, depois, em Nürburgring Nordschleife.
Para animar a noite, eu lhes trago….Isso:
Os mitos automotivos da minha época
Quando eu era pequeno, já tinha adoração por carros, e sempre que ganhava carrinhos de “matchbox” (os Hot Wheels de hoje em dia), eu gostava, diferente de meus amigos, de saber que meus carrinhos eram modelos que existiam na vida real. Já sabia o que era bom nessa época, e minha paixão pela Lamborghini Countach, pela BMW M5 e pela Ferrari Testarossa nasceu em inocentes brincadeiras de bate-bate entre carrinhos de matchbox (às vezes eles eram esmagados por um martelo de cozinha também, é verdade).
Porém, os primeiros carros reais, daqueles que eu via na rua, que causaram uma impressão em mim foram o Escort XR3 e o Gol GTi. E digo mais: ainda que o GTi fosse mais potente e mais veloz (era o carro mais rápido do brasil, com motor 2.0 de Santana ‘o único com injeção eletrônica’), sempre preferi o visual do XR3.
Para matar as saudades, coloco aqui duas propagandas de época, uma do Escort e outra do Gol. Em uma delas, há até um personagem familiar…
Dirigindo uma estrela
Em dia de Oscar 2012, faço uma homenagem a um dos diretores mais divertidos dos últimos 20 anos, e a uma de minhas marcas favoritas.
Guy Ritchie (de Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes, Snatch, Rock & Rolla; ah, e aquele Sherlock Holmes) dirige sua ex-esposa, Madonna num curta feito para a BMW. No carro, quem dirige ela é o ator britânico Clive Owen (de Closer e Rei Arthur).
Owen faz o papel de um motorista que tem que levar uma estrela (sim, você adivinhou: a estrela é a própria Madonna) arrogante e metida de seu hotel até um show, à bordo de uma BMW M5. A impaciente estrela enche o s*** de seu monossilábico chofer. Vejam o que acontece:
À Espera de um Carro
À medida em que a sociedade vai ficando mais e mais “amiga do ambiente” e “consciente” dos danos dos automóveis à atmosfera, à saúde e a um monte de outras coisas, as pessoas estão se esquecendo da importância da figura do carro para os jovens, principalmente (mas não só) homens. Especialmente (mas não só) para aqueles nascidos, ainda, no século passado. O século XX foi o século dos carros.
Sabendo disso, uma turma lá de uma cidade chamada Stuttgart (ou ridiculamente Estugarda, em português da ‘terrinha’), decidiu criar um genial anúncio de TV para a marca deles de automóveis. Uma marquinha aí de nome Porsche. (Vejam, vale a pena!)
1-porsche – emotrailer 02 from Donna Productions on Vimeo.






