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Saudade de Algo que Nunca Tive
Hoje fiquei com saudade de um dos carros mais à frente de sua época que existiam, em minha opinião. O Mitsubishi 3000 GT. Também conhecido como Mitsubishi GTO nos EUA, ele foi o sucessor do Mitsubishi Starion (até hoje um dos carros mais requisitados para tunagem) e, por meio de um acordo entre a Mitsubishi e a Chrysler, que havia nos anos 90, ele foi vendido em terras ianques também sob a alcunha de Dodge Stealth.
Foi lançado em 1990, e possuía três versões: SOHC (comando único de cabeçote) 12V câmbio automático de 4 marchas (a versão mais chulé, digamos). Essa versão desenvolvia míseros 154 cv de potência. A versão intermediária era mais arrojada, com motor DOHC (duplo comando de cabeçote), câmbio manual de 5 marchas, e potência de 213 cv. E a versão mais potente possuía também motor DOHC, câmbio manual de 6 marchas e 268 cv de potência. O motor dessa versão era bi-turbo (TT). Em 1996, essa versão ganhou propulsor ainda mais forte, de 288 cv. Foi então batizada de VR-4, para distinguir da versão anterior twin-turbo. Era item de série o motor 3 litros V6 em todas as versões.
Com tudo isso, a velocidade máxima do cupê japonês era, limitada, a 240 km/h. Mas a versão Twin Turbo, sem limitação, chegava próximo a 300 km/h de máxima (não há fontes precisas, porque ‘tirar’ a limitação era algo feito por pessoas que, ao mesmo tempo, preparavam seus Mits. Mas estima-se que, naturalmente, sem travas de velocidade, o carro chegasse a 292 km/h).
Embora eu seja um fã confesso da Honda (que, à época, lançou o mítico NSX) e o 300 ZX da Nissan (aliás, esse merece um post enorme só sobre ele) seja um dos carros de meus sonhos [ambos eram concorrentes diretos do 3000 GT], tenho que admitir que o design do 3000 GT é o mais atemporal dos três. Se você colocar os três enfileirados (juntos com o outro bólido nipônico da época, o Toyota Supra), ele se sobressairá como o mais atual. Até o belíssimo Subaru SVX, outro de seus concorrentes, tinha um desenho menos inovador.

Traseira do GTO trazia aerofólio raso e o nome do modelo centralizado (aqui no Brasil e no Reino Unido se chamava 3000 GT)
Outros pontos que contam à favor do 3000 GT: Era econômico; seu consumo está em torno de 7,7-8 km/l na cidade e 10 km/l na estrada. Para um carro naturalmente aspirado, com motor 3.0 v6 24v, está de bom tamanho. Zero a 100? Após 5.3 segundos.
Não era o carro mais seguro: Airbag, só para o motorista. ABS? Esquece. Em termos de conforto, é aquela velha lenda dos cupês esportivos 2+2. As montadoras falam que cabem 2 pessoas atrás, massss, na verdade as únicas pessoas que cabem (apertadas) no banco traseiro do 3000 GT são o Wee-Man e o Mini-Me.
Voltando ao início do texto – e aqui explico o título poético do post – tenho que confessar que nunca nem entrei dentro de um 3000 GT (talvez em algum Salão do Automóvel, se bem que não me lembro). Nem de um Dodge Stealth. Masss…você, leitor, pode. Não só entrar, como possuir um carro desses. No Webmotors encontrei um exemplar bem conservado e aparentemente nada modificado (coisa rara para um carro desses), de 1991, pela bagatela de R$ 36.000. Trinta e seis mil reais!!! Você não compra nem um JAC com esse dinheiro!!!
Se você se interessou, aqui está o link. O carro é bordô metálico (a cor é bonita), e até os vidros estão na cor original (algo raríssimo e uma demonstração de extremo bom-senso e bom gosto do proprietário). Ah! Sim; o carro está em São Paulo. E não, eu não sou o vendedor, nem ele é meu amigo ou conhecido.
Para acabar com minha homenagem ao 3000 GT, uma foto de uma viatura policial americana “interceptor” do modelo. Só porque eu sei que os automaníacos da internet amam fotos de viaturas super-rápidas.
Por dentro de um relâmpago de £220.000
Ok, eu até que tentei me abster do bafafá em torno do lançamento da Ferrari F12 Berlinetta, a Ferrari mais rápida já criada, exposta ao público no Salão Internacional de Genebra (que começou ontem, dia 8 de março, e vai até o dia 18 próximo). Não vou ficar aqui tecendo elogios e floreando esse post com adjetivos lisonjeiros à performance da máquina. É um veículo semi-perfeito, verdade. Mas…sem mais delongas e puxações de saco de minha parte.
Vou falar de algo que sempre me interessou nos supercarros, que é saber como é o seu interior, me visualizar ali, sentado no cockpit mexendo nos mostradores, ajustando o modo de dirigir, a tração, fazendo os últimos calibres antes de soltar a fera. Gosto de ver como é o volante, como são os bancos – consigo até sentir o cheiro do couro de vacas suecas de pastagens sem arame-farpado – como é o sistema de navegação, o computador de bordo, o sistema de áudio. Imaginar os confortos e demais atrativos que tem um carro que vai de 0-100 km/h em 3 segundos, mesmo sendo um míssil capaz de atingir velocidades estratosféricas.
Para você, caro leitor, que pensa como eu, aí vão alguns insights do interior da F12 Berlinetta 2012. Sinta-se à vontade…
Um adendo: eu publiquei o preço da Ferrari F12 no título do post em libras esterlinas, porque esse foi o preço oficial que eu encontrei. Para ter uma ideia, isso dá em torno de 350 mil dólares (deve custar por volta dos 400 mil, nos EUA) e 616 mil reais (não posso nem imaginar o preço por aqui, mas acho que deve ultrapassar os 3 milhões de reais, já que a Ferrari FF, menos potente, custa R$ 2,7 mi por aqui).
Só na parceria…
A grande notícia do dia do mercado automotivo mundial é o anúncio da aliança GM-PSA (Peugeot Citroën).
De acordo com informações da Reuters publicadas às 14h15,
“A unidade europeia da General Motors, Opel, anunciou nesta quarta-feira que o grupo norte-americano formou uma parceria estratégica global com a francesa PSA Peugeot Citroen, com foco no compartilhamento de plataformas de veículos e em compras conjuntas.
As montadoras afirmaram que a PSA vai levantar cerca de 1 bilhão de euros em um aumento de capital e que a GM vai ficar com uma participação de 7 por cento no grupo francês.
As empresas vão explorar áreas para novas cooperações, como logística integrada e transporte.
General Motors e PSA esperam que as sinergias a serem criadas com a aliança sejam de 2 bilhões de dólares anualmente dentro de cerca de cinco anos”.
Veja outras parcerias, fusões e alianças entre marcas automotivas:
As duas grandes do mercado funcionam como grupos de marcas, e isso é assim desde a década de 1950:
Dessa maneira, a Ford engloba a divisão de luxo Lincoln e costumavam deter a divisão de carros mais simples Mercury, sendo que o posicionamento de mercado da marca Ford ficava num intermédio entre as duas marcas. Em 2011, a Mercury foi descontinuada. Em 2000, o Ford Group comprou várias grandes marcas e passou a ser o proprietário da Land Rover, Jaguar, Volvo e Aston Martin. O grupo ainda possuía 25% da Mazda e 10% da Kia Motors. Nos 7 anos subsequentes, porém, vendeu a Land Rover e a Jaguar para os indianos da Tata, a Volvo para os chineses da Geely e ficou com 3,5% da Mazda e cerca de 5% da Aston Martin. A Kia é hoje totalmente sul-coreana e propriedade da Hyundai , que, por sua vez, nos anos noventa era, em parte, propriedade dos japoneses da Mitsubishi (18%). Em 2008 a Ford comprou a indiana Mahindra.
Já a GM possui mais subdivisões: a divisão de alto luxo Cadillac, a divisão de médio luxo Buick, a divisão mais simples Chevrolet e a divisão de picapes e caminhonetes GMC. As marcas Saturn e Geo, duas divisões de carros médios, que ficavam mais ou menos no mesmo patamar da Chevrolet, acabaram por desaparecer, respectivamente, em 2010 e 1997. Em 2004, outra das tradicionais marcas do grupo, a Oldsmobile, também desapareceu.Por fim, em 2010, foi a vez da Pontiac, marca da GM dos célebres GTO, Trans-Am e Firebird, ser fechada. Na Europa, a GM é dona da Opel (assim como das subsidiárias gêmeas, a australiana Holden e a inglesa Vauxhall), e costumava possuir ações da falida sueca, SAAB.
A terceira grande empresa automotiva americana, a Chrysler, também possui subdivisões. São elas a Dodge e a Jeep. No passado, uma série de outras marcas foi produzida pela Chrysler. A mais famosa era a Plymouth, que deixou de existir em 2001.
Em 1998, a DaimlerBenz comprou a Chrysler. A marca alemã já possuía a marca de altíssimo luxo Maybach e a marca de carros superhipercompactos que parecem brinquedos, Smart. Em 2007, eles decidiram que a Chrysler trazia mais prejuízo do que qualquer outra coisa, e colocaram a marca americana à venda. Em 2009, a Chrysler foi adquirida pela FIAT, e com isso, os italianos agora detém, por tabela, todas aquelas marcas do grupo. A Fabbrica Italiana ainda possui as marcas Alfa Romeo, Lancia, Ferrari e Maserati.
Os alemães da Volkswagen são donos da Audi, Lamborghini, da tcheca Skoda, da espanhola Seat, da Bentley e da marca de supercarros francesa Bugatti. Os bávaros da BMW são os donos da Rolls-Royce e da Mini.
Na França, a Peugeot e a Citroën, que acabaram de ser compradas pela GM (ler notícia acima), se uniram em 1974, quando a Peugeot comprou 33% da Citroën. Sobrou para a Renault, que em 1999 se uniu aos japoneses da Nissan (e de quebra à marca de luxo Infiniti). A Renault também é proprietária da romena Dacia, e aqui no Brasil comercializa seus automóveis Sandero, Logan e Duster.
Na terra do sol poente, a Honda possui a marca de luxo Acura (vendida em todo o resto do mundo exceto por aqui, parece), e foi a primeira a lançar uma iniciativa assim, em 1986. Sua arquirrival Toyota seguiu seus passos e em 1989 lançou a Lexus. Depois, em 1992, comprou a maior parte da Daihatsu e em 2002 lançou a marca-jovem Scion.
Ainda do Japão, a Suzuki seria a “amiga da rapaziada”: já se juntou a praticamente tudo que é marca, e fez parceria com GM para produção de carros nos mercados europeu, britânico, americano, canadense, neozelandês e australiano; com a Fiat para produção do Sedici na Europa (vendido por aqui como Suzuki SX4) ; com a Subaru para a produção do Justy também no Velho Continente; com a Mazda para a produção de uma série de carros somente para o mercado japonês; com a Nissan para a produção de carros pequenos no Japão; com a VW para a produção do Volkswagen Rocktan (ainda outra releitura do SX4) e por fim com a Mitsubishi para produção de carros para o mercado indonésio.
Em 1981, a Suzuki comprou uma das maiores companhias automotivas da India, a Maruti.
Honda terá centro logístico de 190 milhões de reais em SP
Unidade será construída em Paulínia (SP), cidade vizinha a Sumaré, onde montadora mantém fábrica de automóveis
Em 2011, marca perdeu mercado e teve queda de 26,5% nas vendas após problemas com terremoto no Japão.
A Honda Logistic Inc., braço da montadora japonesa Honda na área de transportes e logística, vai investir R$ 190 milhões na construção de um novo centro de distribuição e logística de peças para automóveis e motos.
Em 2011, a marca perdeu mercado e registrou queda de 26,5% nas vendas de carros no Brasil com os problemas de logística e abastecimento de peças após o terremoto seguido de tsunami que atingiu o Japão no começo do ano passado.
O centro será construído numa área de 500 mil metros quadrados em Paulínia (117 km de São Paulo), cidade vizinha a Sumaré, onde a Honda mantém a fábrica e a produção de três modelos: o Civic, o City e o Fit.
Na primeira fase, em 2012, a empresa deve investir R$ 25 milhões só na construção. Em 2013, serão mais R$ 25 milhões. A Honda Logistic não descarta a possibilidade de aumentar o complexo. A previsão é gerar 391 empregos.
No projeto encaminhado à Prefeitura de Paulínia para concessão de benefícios, a empresa afirmou que o espaço para atividades dentro da fábrica em Sumaré estão limitados para expansão.
O objetivo, segundo a empresa, é agregar valor à cadeia de suprimentos e abastecimento da Honda e alcançar a meta de construir um planejamento estratégico para as próximas décadas.
Conforme lei sancionada pelo prefeito de Paulínia, José Pavan Júnior (DEM), a Honda Logistic terá isenção total de IPTU (Imposto Predial Territorial Urbano) e pagará alíquota de 2% (e não de 5%) sobre o ISS (Imposto Sobre Serviços) por dez anos.
O terreno foi doado pela prefeitura. Em contrapartida, a empresa terá que construir duas creches e licenciar os veículos da frota no município, além de garantir outras exigências quanto à geração de empregos.
Na semana passada, a Honda afirmou que retomou o nível de produção que mantinha antes dos problemas no Japão. Os funcionários que estavam em licença remunerada retornaram ao trabalho.
Segundo a empresa, a produção em dois turnos subirá para 510 automóveis por dia. A direção da Honda Logistic não se manifestou sobre os investimentos em Paulínia.
Retirado de: Jornal Folha de S. Paulo, 14/02/2012






