Arquivos da Categoria: Máquinas dos Sonhos

Saudade de Algo que Nunca Tive

Um Mitsubishi GTO 1991 do jeitinho que ele saiu da fábrica

Hoje fiquei com saudade de um dos carros mais à frente de sua época que existiam, em minha opinião. O Mitsubishi 3000 GT. Também conhecido como Mitsubishi GTO nos EUA, ele foi o sucessor do Mitsubishi Starion (até hoje um dos carros mais requisitados para tunagem) e, por meio de um acordo entre a Mitsubishi e a Chrysler, que havia nos anos 90, ele foi vendido em terras ianques também sob a alcunha de Dodge Stealth.

Foi lançado em 1990, e possuía três versões: SOHC (comando único de cabeçote) 12V câmbio automático de 4 marchas (a versão mais chulé, digamos). Essa versão desenvolvia míseros 154 cv de potência. A versão intermediária era mais arrojada, com motor DOHC (duplo comando de cabeçote), câmbio manual de 5 marchas, e potência de 213 cv. E a versão mais potente possuía também motor DOHC, câmbio manual de 6 marchas e 268 cv de potência. O motor dessa versão era bi-turbo (TT). Em 1996, essa versão ganhou propulsor ainda mais forte, de 288 cv. Foi então batizada de VR-4, para distinguir da versão anterior twin-turbo. Era item de série o motor 3 litros V6 em todas as versões.

Com tudo isso, a velocidade máxima do cupê japonês era, limitada, a 240 km/h. Mas a versão Twin Turbo, sem limitação, chegava próximo a 300 km/h de máxima (não há fontes precisas, porque ‘tirar’ a limitação era algo feito por pessoas que, ao mesmo tempo, preparavam seus Mits. Mas estima-se que, naturalmente, sem travas de velocidade, o carro chegasse a 292 km/h).

Embora eu seja um fã confesso da Honda (que, à época, lançou o mítico NSX) e o 300 ZX da Nissan (aliás, esse merece um post enorme só sobre ele) seja um dos carros de meus sonhos [ambos eram concorrentes diretos do 3000 GT], tenho que admitir que o design do 3000 GT é o mais atemporal dos três. Se você colocar os três enfileirados (juntos com o outro bólido nipônico da época, o Toyota Supra), ele se sobressairá como o mais atual. Até o belíssimo Subaru SVX, outro de seus concorrentes, tinha um desenho menos inovador.

A beleza tipicamente nipônica, esportiva e futurista do Mit GTO/ 3000 GT

Traseira do GTO trazia aerofólio raso e o nome do modelo centralizado (aqui no Brasil e no Reino Unido se chamava 3000 GT)

Outros pontos que contam à favor do 3000 GT: Era econômico; seu consumo está em torno de 7,7-8 km/l na cidade e 10 km/l na estrada. Para um carro naturalmente aspirado, com motor 3.0 v6 24v, está de bom tamanho. Zero a 100? Após 5.3 segundos.

Não era o carro mais seguro: Airbag, só para o motorista. ABS? Esquece. Em termos de conforto, é aquela velha lenda dos cupês esportivos 2+2. As montadoras falam que cabem 2 pessoas atrás, massss, na verdade as únicas pessoas que cabem (apertadas) no banco traseiro do 3000 GT são o Wee-Man e o Mini-Me.

Voltando ao início do texto – e aqui explico o título poético do post – tenho que confessar que nunca nem entrei dentro de um 3000 GT (talvez em algum Salão do Automóvel, se bem que não me lembro). Nem de um Dodge Stealth. Masss…você, leitor, pode. Não só entrar, como possuir um carro desses. No Webmotors encontrei um exemplar bem conservado e aparentemente nada modificado (coisa rara para um carro desses), de 1991, pela bagatela de R$ 36.000. Trinta e seis mil reais!!! Você não compra nem um JAC com esse dinheiro!!!

Se você se interessou, aqui está o link. O  carro é bordô metálico (a cor é bonita), e até os vidros estão na cor original (algo raríssimo e uma demonstração de extremo bom-senso e bom gosto do proprietário). Ah! Sim; o carro está em São Paulo. E não, eu não sou o vendedor, nem ele é meu amigo ou conhecido.

Para acabar com minha homenagem ao 3000 GT, uma foto de uma viatura policial americana “interceptor” do modelo. Só porque eu sei que os automaníacos da internet amam fotos de viaturas super-rápidas.

280 cavalos te perseguindo, acho que não devia ser um bom negócio

Desafio ao Trono

Há alguns posts atrás, coloquei aqui no blog um vídeo com o teste de velocidade máxima do SSC Ultimate Aero TT (que nesse caso significa Twin Turbo).

O carro foi criado pela Shelby SuperCars em 2007, como SSC Aero. Em 2008, nasceu o Ultimate Aero TT, e em 2009, a SSC avisou que a próxima versão do Aero teria ainda mais potência.

O V8 6.4 do SSC Ultimate Aero TT confere-lhe uma potência descomunal de 1287 cv/hp

O resultado foi um veículo de 1287 cv, e motor 6.4 V8, que, em rotações acima de 6 mil rpm, leva o carro a velocidades projetadas acima dos 430 km/h. O propulsor, feito inteiro em alumínio, manda o carro aos 100 km/h em meros 2,78 segundos. Com vários componentes feitos de fibra de carbono, o SSC Ultimate Aero TT pesa somente 1247 kg (2750 lbs) e pode gabar-se de ser o automóvel no mundo com melhor proporção peso/cavalo, com 2,17 lbs/hp; ou seja, cada 1 kg aproximadamente (2,20 lbs) gera 1 hp de potência no carro. Para base de comparação, a McLaren F1 1997 possui uma relação peso cavalo de 4lbs/hp, e um Ford Focus, 27 lbs/hp. Ou seja, dá para ter uma ideia do exorbitante montante de potência gerada por esse carro, projetado de maneira que seu motor gerasse muitíssima potência e, ao mesmo tempo, que o peso total do carro fosse baixo.

Em outubro de 2007, a versão, digamos, “convencional” do Ultimate Aero (não a Twin Turbo), bateu o recorde mundial de velocidade para um carro de estrada, e entrou para o Guinness, ao cravar exatos 412,28 km/h numa pista nos Estados Unidos, desbancando o recorde de 409 km/h alcançado pelo Bugatti Veyron EB 16.4. O reinado do SSC, todavia, durou menos de três anos: no dia 4 de julho de 2010, a Bugatti reconquistou seu título, ao apresentar o Bugatti Veyron SuperSport. O piloto de testes oficial da marca francesa, Pierre Henri Raphanel, conseguiu bater de lavada o recorde do Ultimate Aero, ao cravar estupendos 431 km/h na secreta pista oval da VW, a Ehra-Lessien. O feito foi registrado por institutos de metrologia alemães, e, pouco depois, o carro entrou para o Guinness como o automóvel street-legal mais rápido do mundo, tirando para sempre a coroa do SSC Ultimate Aero TT.

O Gêmeo do Veyron

Sabe quem é o irmão gêmeo bivitelino (aquele que não é idêntico) do Bugatti Veyron?

Esse carro aqui:

Quem avistou o pequeno emblema redondo com um B no meio e chutou que é um Bentley, acertou. Afinal, as duas marcas fazem parte do rol de empresas automotivas de propriedade do Grupo Volkswagen, ou seja, era de se esperar.

O que acontece é que o carro acima traz traços na carroceria que lembram o Veyron, e, mais importante, possui o mesmo motor de 16 cilindros em W (W16) do Veyron, de 64 Válvulas. Trata-se de um Bentley Hunaudière 1999, carro conceito da marca de esportivos de luxo. Foi apresentado no Salão Internacional do Automóvel de Genebra, no mesmo ano. Seu motor era um VW 8 litros aspirado naturalmente, que gerava uma potência de 632 cv, bem menor do que os 1000 cv do Bugatti, mas ainda sim potente o suficiente para atingir uma velocidade máxima de 350 km/h. Como base para a carroceria, foi utilizado o chassis da Lamborghini Diablo. A transmissão desse bólido britânico era manual de 5 marchas.

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O seu nome é uma homenagem à reta Hunaudière do circuito automobilístico de La Sarthe, na França, na região de Le Mans, e é normalmente utilizado como parte da corrida das 24 horas de Le Mans. A reta de Hunaudière leva até a localidade de Mulsanne, nome de outro modelo da Bentley. Próximo, fica ainda a cidadela de Arnage, ainda outro nome homenageado pela marca inglesa. Todos esses modelos usam como nome localidades que fazem parte da prova de Le Mans pois a Bentley construiu parte de sua reputação com carros potentes e refinados na década de 1920, com a beleza e a velocidade apresentada por seus automóveis nas 24 horas de Le Mans.

Enfim o Hunaudière acabou nunca sendo produzido pela Bentley e boa parte de seu projeto foi aproveitado, 4 anos depois, para desenvolver o Veyron.

No entanto, se você quiser dirigi-lo, existe um jeito: Tire o velho PlayStation do armário (o PS1 mesmo) e jogue o jogo TOCA World Touring Cars. O Hunaudière é um dos carros que são liberados depois de você terminar o jogo, sei lá, umas 44 vezes.

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