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Voa, Webber!

Como homenagem à vitória de Mark Webber, da Red Bull, no GP de Monaco de hoje - o que faz dessa temporada da F1 a mais equilibrada de todos os tempos nos 63 anos da categoria - vou postar aqui umas pérolas aéreas do ‘Australiano Voador’:

Em 1999, nos treinos para as 24 horas de Le Mans, o carro de Webber perdeu estabilidade após o solavanco causado por uma depressão na reta Mulsanne (de onde ele decolou após atingir 315 km/h), e seu carro simplesmente voou por cima da pista. Detalhe: ele fez praticamente a mesma coisa no treino do dia anterior. Detalhe 2: Seu companheiro de equipe, o escocês Peter Dumbreck, também voou, de maneira ainda mais drástica, e foi parar nas árvores depois do guard-rail!

Detalhe para o acidente de Webber:

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Webber falando sobre seu acidente e replay do acidente de Dumbreck (obs: infelizmente não há filmagens do acidente de Webber):

Muito bem, não aconteceu nada com ele, e o cara saiu ileso de sua aventura no ar. Tudo certo, até que…

Onze anos depois, no GP da Europa de 2010, eis que o australiano decide que é hora de voar novamente, e, pouco antes da curva 13, acerta a traseira da Lotus de  Heikki Kovalainen a 198 km/h e…

O hómiii voooooa se deixarem!!!

Ele é um bom piloto, e aparenta ser um dos caras mais legais da F1. Achei ótima a vitória dele, pelo ineditismo do fato (de haver seis vencedores diferentes nas seis primeiras provas da temporada).

Mas hoje Webber venceu, em grande parte, por conta da cag*** de Schumacher na última corrida, o que lhe custou a pole position que conquistou nos treinos de ontem. Tivesse o alemão largado em primeiro, e a história seria diferente.

Na Estrada: Os carros

Vingadores? Novo Batman? Que nada…O filme de 2012 que eu estou esperando ansiosamente para ver é a adaptação para as telonas de “Pé Na Estrada”, livro de Jack Kerouac que foi a pedra fundadora do movimento beat. É um dos livros mais influentes entre os jovens universitários norte-americanos até hoje.  Publicado em 1957, influenciou ninguém menos do que Bob Dylan, Tom Waits, Jim Morrison e o pai do gonzo-jornalismo, Hunter S. Thompson.

Nele, uma turma de jovens (que se encontra e desencontra pelos Estados Unidos) na década de 1940 desbrava as estradas de um país vivendo a euforia rodoviária. Existem três cidades que são constantes nas cinco viagens pelo continente feitas por Paradise e sua gang durante o livro: San Francisco, na Califórnia; Denver, no sopé das Montanhas Rochosas, Colorado e Nova York, na costa oposta a “Frisco”.

Os automóveis (assim como os caminhões e ônibus – todos meios de transporte dos protagonistas) viviam um momento de forte inserção e popularização na sociedade americana. A guerra já acabara, os EUA venceram, e os jovens queriam mais é conhecer melhor os 8 milhões de km² continentais do país. O grupo é encabeçado por Sal Paradise (alter-ego do autor), seu ídolo e muso Dean Moriarty (eu sei, soa meio estranho, mas é a pura verdade. Devo dizer, porém, que os dois estavam sempre vivem aventuras atrás de garotas) e um bando de outros jovens que depois se tornariam figuras importantes e filósofos da contracultura nos anos 1960, como Allen Ginsberg e William Burroughs. Sabe o lema “Sexo,  drogas e Rock n’ Roll”? É…seus ideias começaram a ser fomentados nas 320 páginas de Pé Na Estrada. Com a diferença que o Rock não existia ainda, a música que eles curtiam era o BeBop, espécie de jazz da década de 1940.

O livro demorou décadas e décadas para ser adaptado à película. Em 1980, Francis Ford Coppola (de “Apocalypse Now” e da trilogia “O Poderoso Chefão”) comprou os direitos para a adaptação do livro para o cinema. O projeto nunca vingou e, no começo dos anos 2000, o cineasta brasileiro Walter Salles (de Central do Brasil e Diários de Motocicleta) adquiriu os direitos para o filme. Começou a filmagem em 2010 e, agora em junho, o filme chega às salas de cinema do mundo inteiro. Além de ser uma história incrível, é um dos filmes mais aguardados de todos os tempos e, ainda por cima, com um brasileiro dirigindo. Para mim, é o campeão do ano na minha lista de filmes aguardados. Por aqui, vai se chamar Na Estrada.

 

Bem, muito bom. Mas…e o que isso tem a ver com carros??? Ora, tudo, caros leitores. O ideal pregado por Kerouac de liberdade vivida nas estradas precisa, ele demanda, um carro. E, ao longo do livro, vários são conduzidos a velocidades prudentes (por Paradise) e a velocidades alucinantes (por Moriarty).  Aliás, a habilidade (e a rapidez) de Moriarty no volante é uma das coisas glamourizadas no livro, o que demonstra a admiração deo protagonista por essa faceta de seu amigo-ídolo-muso. Por fim, um dos sites mais respeitados – e que eu mais curto – sobre automóveis é o Jalopnik (ver lista de links ao lado), cujo nome é uma junção de jalopy (carro caindo aos pedaços) e beatnik (os seguidores dos ideais promulgados em Pé na Estrada).

Não sei no filme como vai ser, mas no livro, esses são os sete carros dirigidos por Sal, Dean & Cia.:

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Curtiu? Então já vá reservando a data para o dia 15 de junho próximo, quando a película estreia no Brasil. Quem sabe até lá você não consegue comprar e ler inteiro o livro? Garanto que você não vai se arrepender…

PS: No ano que vem sai outro filme esperadíssimo (por mim, rs): RUSH, do diretor Ron Howard (de O Código Da Vinci, Uma Mente Brilhante, A Luta pela Esperança, Apollo 13, Coccoon, entre outros) que conta a história de uma das maiores rivalidades da Fórmula 1 dos anos 1970: entre o britânico James Hunt (interpretado por Chris Hemsworth, o Thor) e o austríaco Niki Lauda (Daniel Brühl, de Adeus Lênin). 

Por que as coisas não puderam ser assim?

Quadro do artista lituano Oleg Konin, cujo título é "If Only"

Emocionante, bem escrita, fiel. Assim eu definiria a matéria de capa da edição 20 da revista ALFA. Para quem é fã de Senna, para quem foi fã de Senna. E para os que não foram também, mas sabem de seu impacto no esporte, seu impacto no tal do “incosciente coletivo” (está certo, Dr. Jung?) do povo brasileiro.

O texto é assinado por um de seus grandes amigos – e que depois tornou-se desafeto – o jornalista Reginaldo Leme, da TV Globo. O filme de Asif Kapadia, a pintura do lituano Oleg Konin e o texto de Leme se complementam de maneira harmoniosa. O que o jornalista fez foi escrever um belo texto, sem ser piegas nem melodramático, sobre como seria a vida de Senna caso o fatídico acidente em Ímola não houvesse imolado o ídolo.

Você começa o texto com aquela pergunta proverbial na cabeça, perfeitamente ilustrada pelo quadro de Konin (e que ilustra esse post também): “E se?”

Ao longo de três páginas, Leme nos dá um vislumbre triste e ao mesmo tempo feliz daquilo que poderia ter sido. Não me entendam mal, é triste justamente porque a vida do Senna está muito bem, conforme esboçada pelo jornalista. E é tudo tão verossímil que é difícil você não acabar de ler o ensaio e fazer uma outra pergunta: “Porquê as coisas não foram assim?”

Disputado e imprevisível

Após três etapas, o campeonato de Fórmula 1 desse ano ainda não deu dicas sobre quem deve levar o caneco no fim do ano. Após os treinos preparatórios para o GP da Austrália eu mesmo imaginei – e torci, sendo McLarenista – uma hegemonia do time inglês.

Mas não. Jenson Button, que conta com minha torcida, foi quem ganhou *aquele* GP; o próximo foi vencido por Sérgio Perez Fernando Alonso. O terceiro, surpreendentemente pelo alemão-finlandês Nico “Kekeson” Rosberg.

Quem vencerá o quarto Grande Prêmio (no atribulado Bahrein)? Será que a Red Bull vai acordar?? O sucesso deles era somente por conta do ___________ (insira o nome do componente tecnológico de sua preferência)??? Sebastian Vettel vai reagir e mostrar que está realmente no time dos super-pilotos, junto com Schumacher, Senna e outros antes deles???? Não sei a resposta para essas perguntas, e duvido que muita gente por aí saiba com convicção.

É, torcida brasileira; A Fórmula 1 não é mais aquele poço de rivalidade, egos inflados, super talentos que garantia os espetáculos dos domingos dos anos oitenta. Isso todo mundo está careca de saber. Mas que esse é o começo de campeonato mais disputado dos últimos anos, isso é.

É dia de Fórmula 1

Hoje eu acordei com vontade de…

(Não, não foi de ‘comer chocolate’, embora seja Páscoa)

A resposta certa é ‘assistir Fórmula 1′. Os domingos de outono eram empolgantes nos dourados anos oitenta da F1.

Aí fui ver no YouTube se achava algum GP para assistir. O que acontece é que várias corridas foram organizadas no dia 7, e algumas outras no dia 9 de abril. Achei uma do dia 8 de abril: o Grande Prêmio do Oeste dos Estados Unidos de 1979.

Nessa corrida, pouco depois da largada, o Alfa Romeo de Niki Lauda e a McLaren de Patrick Tambay se colidiram. Nenhum dos dois se machucou gravemente. Mas ai está, em vídeo, para você conferir, a efeméride do S-H para o dia de hoje. Claro, além da Páscoa.

Outro trecho da corrida do dia 08 de abril de 1979:

 

 

A melhor temporada de F1 desde 1994?

O Circuito de Albert Park, em Melbourne, Austrália, abre o campeonato da F1 2012. Foto: Eric Vargiolu/DPPI Ambiance.

E chega o momento da abertura da temporada 2012 da Fórmula 1. Arrisco um palpite: Vettel não será tricampeão, não nessa temporada. Mais: a Red Bull não irá tão bem quanto foi nas temporadas de 2010 e 2011. Por quê?

Não sei vocês, mas a mim, as notícias preliminares, que davam conta dos testes pré-temporada das equipes com os carros novos na Espanha já davam um vislumbre do que está por vir.

E as primeiras baterias no circuito de Albert Park, em Melbourne na Austrália confirmam essas minhas percepções. Ou seja, se eu tivesse participando de um “bolão” sobre o campeonato da F1 2012, e os participantes pudessem desistir até a meia-noite de hoje (uma vez que amanhã começam os treinos classificatórios), eu não só não desistira de minha aposta como aumentaria o cacife.

Por qual razão eu digo isso? Bom, não é somente uma, mas várias: a Red Bull ainda não demonstrou seu poder de força nas exibições até aqui, e, ao contrário disso, a McLaren e a Mercedes, na Austrália, demonstraram, com Schumacher indo bem no segundo treino, e a dobradinha de Hamilton & Button de hoje de manhã (horário de Brasília) no primeiro treino. Equipes menores devem dar trabalho, como a Force India do competente Nico Hülkenberg e do talentoso escocês Paul Di Resta; a equipe ficou com uma das três primeiras colocações na maioria dos testes na Espanha.

Além disso, não podemos esquecer o fato de que, nessa temporada, nada menos do que seis campeões mundiais estarão se enfrentando. É um número histórico e inédito, que deixa tudo mais competitivo, sem sombra de dúvida.

Schumacher, Alonso, Vettel, Button, Raikkonen e Hamilton: No meio dessa constelação de campeões, um piloto para prestar atenção é o japonês, que vem dando o que falar já há algum tempo, Kamui Kobayashi, da Sauber.

Das equipes grandes, não acredito muito no potencial da Ferrari. Os mecânicos e os pilotos já expressaram sua insatisfação com o F2012. Hoje, Massa rodou em Melbourne e amargou a 7ª colocação.

Red Bull, ainda que eu tenha falado acima que não acredito em título, é favorita, óbvio. Meu chute, no entanto é que a McLaren sairá vencedora, coroando um de seus homens bicampeão.

O campeonato promete ser mais emocionante do que nos últimos anos, por todas essas questões. Domingo (de madrugada) começa.

All we know is he’s called…The Stig.

O Stig original, 2002-2003

“Alguns dizem que ele tem a pele igual a de um golfinho; outros dizem que aonde quer que você esteja, se você sintonizar a rádio 88.4, você consegue ouvir sua respiração”

Bem, tenho certeza que você sabem a quem eu me refiro: ao piloto de testes do  Top Gear, um dos maiores sucessos de audiência da televisão britânica de todos os tempos, e o programa de TV sobre carros mais famoso de todos, The Stig.

O programa na verdade começou nos anos 80, e chegou ao fim em 2001. Renasceu, no formato que fez fama mundial, em 2002. Nos dois primeiros anos da segunda ‘versão’, introduziu o célebre personagem. Um piloto de testes misterioso, sem nome, ultra rápido e silencioso que testa os carros na pista de testes da BBC, vestido totalmente de preto. Em 2004, o personagem começou a se vestir totalmente de branco.

Sua identidade é totalmente sigilosa, e dizem que vários pilotos já fizeram, por um ou dois episódios, o papel de The Stig. Dois ficaram por mais tempo, e são os únicos dois conhecidos pelo grande público: The White Stig (2004-2009), é o ex-piloto de Fórmula 3 e de tantas outras categorias (exceto a Fórmula 1), Ben Collins.

Já o primeiro e original Stig (Black Stig), é o piloto profissional Perry McCarthy, que pilotou na Fórmula 1 na temporada de 1992 e foi o Stig em 2002 e 2003, nas primeiras duas temporadas do Top Gear.

Capacete de Perry McCarthy na Fórmula 1

Mc Carthy fez sua estreia na F1 em Interlagos, corria pela obscura equipe Andrea Moda, companheiro de equipe do brasileiro Roberto Pupo Moreno. Disputou 11 provas, sendo que o GP de Monza de 1992 foi seu último na Fórmula 1. Suas marcas não foram lá das melhores. Das onze provas, em 5 ele não foi nem pré-classificado. Em 3 ele não se classificou e em uma ele foi excluído. Nas duas restantes ele não completou a prova. E aí debandou, e foi virar lenda da televisão no Top Gear.

Perry "The Stig" McCarthy à bordo de sua nada possante Andrea Moda, em 1992

A genialidade de Senna e o talento de Barrichello (post longo)

O circuito de Donington Park

Mais um capítulo sobre as incríveis façanhas de Ayrton Senna. Para os que viram e vibraram, vale a lembrança. Para os que eram muito pequenos ou nem nascidos, vale o conhecimento sobre o que ocorreu naquela tarde chuvosa de 11 de abril.

 

Lembro que vi partes dessa corrida com meu pai (tinha 12 anos), e ele, sempre pessimista com esportes, afirmou, quando começou a chover mais pesado, que o Senna venceria na certa.

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O que Senna fez nesse dia demonstra, mais do que sua habilidade, sua visão tática de uma corrida, sua genialidade em pensar em todos os aspectos e variáveis de uma corrida. Em outras palavras, o aperfeiçoamento de suas vitórias. Pouco mais de um ano depois, ele não teria mais tempo de aperfeiçoar aquilo que parecia já perfeito, mas que, aos olhos do próprio Senna, seriam sempre uma obra inacabada: sua pilotagem.

 

Grande Prêmio da Europa, 1993. Circuito de Donington Park, localizado no condado de Leicester, Inglaterra. Senna não possuía um ótimo carro. Pela primeira vez em sua carreira junto à scuderia McLaren, seu carro era, digamos, bom.

 

Diferente dos ótimos McLaren-Honda que guiou nas temporadas anteriores, ele guiava um carro com motor McLaren-Ford; o HBD7 era de 3900 cc (3.9 litros), mas com oito cilindros (V8). Diferente (para não dizer muito inferior) do MP4/6, com motor Honda RA-121E, 3.5 litros V12, com o qual Senna foi tricampeão do mundo, e, na minha opinião, o melhor carro de Fórmula 1 já feito. A verdade é que a McLaren já não tinha mais tanto dinheiro para bancar o contrato com a Honda e a solução foi, após o final da temporada de 1992, firmar um acordo – quase que de última hora – com a Ford.

 

Bem, voltando às pistas: Senna largou, naquele dia, na quarta colocação, atrás de Schumacher (3º), Hill (2º) e Prost (1º). Tinha, portanto, à sua frente, três pilotos que ou seriam ou haviam sido campeões do mundo, dois em Williams e um em uma Bennetton. Dá-se a largada, e Schumacher bloqueou a primeira tentativa de ultrapassagem de Senna, no instante seguinte ao farol verde. O austríaco Karl Wendlinger, da Sauber, que vinha atrás, na 5ª posição, ultrapassou os dois pilotos e ganhou, instantaneamente, o terceiro lugar, já no comecinho da corrida, na abertura da Red Gate, a primeira das dez curvas do traçado. De repente, Senna começa – de verdade – o Grande Prêmio: Poucos segundos após o início da corrida, já na entrada da terceira curva, Senna ultrapassa com facilidade a Bennetton de Schumi. Antes do final das Craner Curves e no início da quarta curva, Senna ultrapassa Wendlinger, e vai com tudo o que o propulsor Ford agüenta em direção a Hill. Na sétima curva, Ayrton já havia passado o inglês que corria com o número 0, e pisou fundo para alcançar Prost. No começo da décima e última curva, o “cotovelo” (hairpin) Melbourne, o francês já havia sido deixado para trás, e Senna começou a segunda volta já na liderança.

 

Ele seguraria essa posição por outras 75 voltas. Sim, houveram momentos – um ou dois se não me engano – em que Ayrton perdeu a liderança temporariamente devido à troca de pneus. Uma coisa ajudou Senna: começou a chover forte. No começo da prova, o asfalto já estava molhado, é verdade. Mas a água começou a despencar para valer bem depois de Senna já estar em primeiro. Todo mundo achava que o tempo ia abrir, então a maioria dos pilotos começou a prova com pneus slick. Inclusive Ayrton. Porém, o que ele fez foi – assim como fazia com os motores – aproveitar o máximo do pneu seco, indo trocar ele pela primeira vez no momento em que seus oponentes mais próximos já estavam na segunda ou terceira troca (caso de Prost). Com isso, conseguiu abrir uma vantagem grande, e, nas últimas voltas, tinha colocado uma volta, uma volta e meia de vantagem do 3º e 4º colocado. Sua vantagem sob Prost era de um minuto.

 

As leis da física (e do automobilismo) mandam o piloto usar pneus adequados com as condições da pista: secos (seca) e de chuva (ou ‘biscoito’ como era chamado antigamente) quando a pista está molhada ou quando há grande chance de precipitação. Porém, elas não se aplicavam a Ayrton, que conseguiu controlar seu carro mesmo sobre a pista molhada, com pneus lisos. Trocou de pneus quatro vezes: colocou pneus ‘biscoito’ quando possuía 22 segundos de vantagem sobre Prost e, logo trocou de volta para lisos. Depois, lá pela volta 55, trocou de novo para pneus de chuva, e logo depois para lisos, finalizando a corrida com esses pneus. Prost, o ‘Professor’ nada ousado, trocou nada menos do que sete vezes! Resultado: Senna ganhou com uma distância de 1min23s sobre Prost.

A McLaren MP4/8 de Senna, #8, está até hoje em exposição no circuito de Donington Park, junto com a bandeira que o piloto usou ao fim da prova.

Quem quiser ver (ou rever) a prova, aqui está o vídeo, na íntegra:

** *

É importante lembrar do tão combalido Rubens Barrichello. Ele, que, acabou de assinar para correr na Fórmula Indy nessa temporada. Pois bem: o que Barrichello fez nessa corrida foi digno do feito de Senna e Bellof em 1984: Largou na 12ª colocação, à bordo de um humilde Jordan, equipado com motor Hart (da mesma casa do motor de Senna em 1984) 3.5 V6. Após duas voltas, já estava em quarto. Na volta de número 51, Barrichello ficou em segundo, após o carro de Prost ‘morrer’ nos boxes. Depois, foi ultrapassado e ficou em terceiro por quatro voltas. Na volta 56, seu carro parou devido a um problema do carro, com a bomba de combustível. Nada a ver com sua pilotagem.

 

Aliás, Barrichello possui duas vitórias em GPs da Europa, feito só igualado pelos campeões Fernando Alonso e Sebastian Vettel. Superado, só por Schumacher (que possui seis vitórias). O ano de 1993 foi extremamente proveitoso para Rubinho: terminou em terceiro no GP do Pacífico e largou na Pole no GP da Bélgica. É triste, porém, o que grande parte da mídia nacional e a imensa maioria dos torcedores de F1 do Brasil fizeram com o piloto, tratando-o como um piloto inferior ou lento. Teve de viver sob a sombra de um gênio, e nunca foi reconhecido pelo que é, um ótimo piloto (ainda que não tenha sido um gênio). Na Inglaterra, há uma base grande de fãs de Rubinho, e, aposto, o próprio Senna não concordaria com o tratamento que dão ao Barrichello por aqui. Para os que gostam do programa da BBC Top Gear, dois vídeos divertidos com a participação de RB:

 

 

 

Senna e o Alemão (não, não era o Schumacher)

Monaco, julho de 1984. Ayrton Senna dirigia um carro de Fórmula 1 definitivamente inferior aos das grandes escuderias. Era o famigerado Toleman TG184, com motor Hart 415T, 1.5. Foi com esse carro que Senna saiu em 13º e acabou a prova em 2º lugar, feito bem retratado no filme recente de Asif Kapadia, Senna. Nas últimas voltas, Senna chegou a estar a 4,5 segundos atrás do primeiro colocado, o piloto que ganharia a prova, Alain Prost.

Contudo, por mais magnífico que Senna fosse – e ele certamente foi – um outro jovem talento despontava naquela prova: o alemão Stefan Bellof.

Dois anos e meio mais velho do que Senna, com 26 anos, Bellof, assim como o brasileiro, fazia sua estreia na Fórmula 1 naquela temporada, por outra equipe inglesa, a Tyrrell. E, naquela tarde chuvosa em Monte Carlo, embora chegasse em terceiro lugar, atrás de Senna e Prost, seu feito não foi menor do que o de nenhum dos dois. Saiu em 20º, e, com o carro da Tyrrell equipado com motor Ford Cosworth 2.9, chegou em terceiro. Está certo que há uma controvérsia toda em torno do Tyrrell 012, um carro cheio de irregularidades, o que custou à equipe um banimento da temporada de 1985 imposto pela FISA. Porém, não deixa de ser algo louvável, numa pista traiçoeira, molhada, cheia de grandes nomes do automobilismo da época, como Prost, Lauda, Mansell, Picquet, ganhar 17 posições. E mais: as estatísticas diziam que, no exato momento em que Senna estava a 4,5 segundos de Prost, pouco antes dos juizes decidirem terminar a prova, Bellof, mantida a corrida e seu ritmo, (e todas as variáveis continuassem iguais, tanto da parte de Senna quanto de Prost), chegaria em Prost em 4 segundos, pois ia mais rápido que Senna. Isso foi dito na transmissão do evento, à época. Muitos anos depois, soube-se que Senna estava com a suspensão nas últimas, quando a corrida terminou, à 31 voltas, e, com isso, Bellof – continuada a corrida – deveria ultrapassar tanto Senna quanto Prost.


Bellof é  o grande ídolo e a inspiração  de Michael Schumacher. Até hoje, mantém o recorde de tempo, como a volta mais rápida no anel norte (Nordschleife) do lendário autódromo Nürburgring: percorreu os quase 21 km em 6min11s, à bordo de um Porsche 956.

Assim como Senna, morreu num acidente em pista, um ano depois do GP de Monaco, aos 27 anos, quando corria as Mil Milhas de Spa-Francorchamps, a bordo do mesmo Porsche 956 com o qual quebrou o recorde da mais famosa pista do automobilismo europeu.

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