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Mustang contra 300C SRT

Vocês se lembram do Drive? Aquele filme animalesco, em que há uma perseguição iradíssima entre um Mustang GT e um Chrysler 300c SRT?

(Se não assistiram o filme, aqui vai a cena)

Bem, no filme – como viram – o protagonista dirige o Ford, então, como era de se esperar, o Mustang vence a parada.

Mas…e na realidade?

Para esclarecer essa dúvida, o S-H foi atrás de alguns vídeos bem mais, digamos, reais.

Na Estrada: Os carros

Vingadores? Novo Batman? Que nada…O filme de 2012 que eu estou esperando ansiosamente para ver é a adaptação para as telonas de “Pé Na Estrada”, livro de Jack Kerouac que foi a pedra fundadora do movimento beat. É um dos livros mais influentes entre os jovens universitários norte-americanos até hoje.  Publicado em 1957, influenciou ninguém menos do que Bob Dylan, Tom Waits, Jim Morrison e o pai do gonzo-jornalismo, Hunter S. Thompson.

Nele, uma turma de jovens (que se encontra e desencontra pelos Estados Unidos) na década de 1940 desbrava as estradas de um país vivendo a euforia rodoviária. Existem três cidades que são constantes nas cinco viagens pelo continente feitas por Paradise e sua gang durante o livro: San Francisco, na Califórnia; Denver, no sopé das Montanhas Rochosas, Colorado e Nova York, na costa oposta a “Frisco”.

Os automóveis (assim como os caminhões e ônibus – todos meios de transporte dos protagonistas) viviam um momento de forte inserção e popularização na sociedade americana. A guerra já acabara, os EUA venceram, e os jovens queriam mais é conhecer melhor os 8 milhões de km² continentais do país. O grupo é encabeçado por Sal Paradise (alter-ego do autor), seu ídolo e muso Dean Moriarty (eu sei, soa meio estranho, mas é a pura verdade. Devo dizer, porém, que os dois estavam sempre vivem aventuras atrás de garotas) e um bando de outros jovens que depois se tornariam figuras importantes e filósofos da contracultura nos anos 1960, como Allen Ginsberg e William Burroughs. Sabe o lema “Sexo,  drogas e Rock n’ Roll”? É…seus ideias começaram a ser fomentados nas 320 páginas de Pé Na Estrada. Com a diferença que o Rock não existia ainda, a música que eles curtiam era o BeBop, espécie de jazz da década de 1940.

O livro demorou décadas e décadas para ser adaptado à película. Em 1980, Francis Ford Coppola (de “Apocalypse Now” e da trilogia “O Poderoso Chefão”) comprou os direitos para a adaptação do livro para o cinema. O projeto nunca vingou e, no começo dos anos 2000, o cineasta brasileiro Walter Salles (de Central do Brasil e Diários de Motocicleta) adquiriu os direitos para o filme. Começou a filmagem em 2010 e, agora em junho, o filme chega às salas de cinema do mundo inteiro. Além de ser uma história incrível, é um dos filmes mais aguardados de todos os tempos e, ainda por cima, com um brasileiro dirigindo. Para mim, é o campeão do ano na minha lista de filmes aguardados. Por aqui, vai se chamar Na Estrada.

 

Bem, muito bom. Mas…e o que isso tem a ver com carros??? Ora, tudo, caros leitores. O ideal pregado por Kerouac de liberdade vivida nas estradas precisa, ele demanda, um carro. E, ao longo do livro, vários são conduzidos a velocidades prudentes (por Paradise) e a velocidades alucinantes (por Moriarty).  Aliás, a habilidade (e a rapidez) de Moriarty no volante é uma das coisas glamourizadas no livro, o que demonstra a admiração deo protagonista por essa faceta de seu amigo-ídolo-muso. Por fim, um dos sites mais respeitados – e que eu mais curto – sobre automóveis é o Jalopnik (ver lista de links ao lado), cujo nome é uma junção de jalopy (carro caindo aos pedaços) e beatnik (os seguidores dos ideais promulgados em Pé na Estrada).

Não sei no filme como vai ser, mas no livro, esses são os sete carros dirigidos por Sal, Dean & Cia.:

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Curtiu? Então já vá reservando a data para o dia 15 de junho próximo, quando a película estreia no Brasil. Quem sabe até lá você não consegue comprar e ler inteiro o livro? Garanto que você não vai se arrepender…

PS: No ano que vem sai outro filme esperadíssimo (por mim, rs): RUSH, do diretor Ron Howard (de O Código Da Vinci, Uma Mente Brilhante, A Luta pela Esperança, Apollo 13, Coccoon, entre outros) que conta a história de uma das maiores rivalidades da Fórmula 1 dos anos 1970: entre o britânico James Hunt (interpretado por Chris Hemsworth, o Thor) e o austríaco Niki Lauda (Daniel Brühl, de Adeus Lênin). 

Hot Rods Históricos (em Vídeo)

Um projeto incrível , o 35mm Stock Footage, traz vídeos inéditos raríssimos das primeiras décadas do século XX e os disponibiliza em ótima qualidade (720 pixels de resolução).

Um deles é de uma corrida amadora ocorrida na década de 1940 na Carrell Speedway, uma pista na árida cidade de Gardena, nas cercanias de Los Angeles, Califórnia. O vídeo é bonito, mostra a alegria e a excitação dos jovens com os hot-rods que passam zunindo. Boa parte dessa vibração era a mesma que movia jovens nos Estados Unidos inteiro, uma geração que mais tarde ficaria conhecida como  Beat, e cuja “Bíblia” é um livro que é uma ode aos amantes das estradas e, consequentemente, dos automóveis: “Pé na Estrada” (On the Road) de Jack Kerouac. Enfim, esse livro fica para outro post. Vejam o filme, porque vale a pena pela beleza das imagens e pelo registro histórico.

OBS: Como bem notou o leitor Wélton Silveira, o vídeo não tem áudio. 

A própria história da Carrell Speedway é interessante: ela foi construída por um sujeito chamado…Malloy! Não, ele não se chamava Carrell, he he. Emmett J. Malloy era um entusiasta das corridas e correu ao lado de lendas dos hot-rods americanos nas décadas de 1940 e 1950. Decidiu construir a pista num terreno enorme numa das áreas mais áridas da cidade (como pode-se ver no filme). Seu filho, Tom Malloy, foi também piloto e dirigente de equipes automobilísticas nos EUA.

Nos últimos anos ele esteve envolvido na construção do circuito grandioso de Fairmont Butte Motorsports Park, na cidade de Corona, Califórnia, não muito longe de onde ficava a Carrell Speedway.

Esse filme merece um post só para ele. Ok, sim, ás vezes parece que o diretor fez todo um clima exageradamente misterioso em torno do personagem e, bem, na verdade, em torno do enredo também. O protagonista, do meio até, digamos, 3/4 do filme, é um pouco caricaturesco, de tão cool :  é tão misterioso ( ao estilo dos personagens do lendário diretor cult Walter Hill), que seu nome verdadeiro não é nunca pronunciado no filme. Ele é conhecido simplesmente como…The Driver! Bem, vamos lá: cara sem passado, enigmático, que dirige como um piloto de F1, que cospe frases monossilábicas, faz as coisas por meio de suas próprias regras, trabalha numa oficina, é piloto de fuga de roubos e assaltos, é dublê, mata quem quiser com as próprias mãos ( e pés; em determinada cena, ele literalmente transforma o crânio de um capanga do vilão em purê, dentro do elevador, enquanto “a mocinha” assiste à tudo).

Mas o filme é muito mais do que isso; a cinematografia é genial; os cortes, o jeito que as cenas são filmadas, as perseguições, a sanguinolência bruta (porém dosada a alguns poucos momentos durante o 1/4 final da película). É daquelas obras cinematográficas que fazem com que quem gosta de carro saia do cinema querendo falar entusiasticamente dos modelos usados no filme, das técnicas de  pilotagem, de mecânica, de cursos automotivos/automobilísticos,de stock car, de pilotos, e por aí em frente. O trabalho do diretor do longa é muito bom mesmo, e o dinamarquês Nicolas Winding Refn merece grande parte dos louros.

Mas é mais: Um filme com clima próprio, com atmosfera sombria (sem ser noir); um drama violento que, em minha opinião, nem o mestre da violência – Quentin Tarantino – conseguiu fazer igual (embora haja elementos de comparação entre esse filme e À Prova de Morte).

Bem, meu veredito final: 9/10. Se você não gosta de carros mas é cinéfilo, vá ver. É uma lição de cinema moderno inteligente e bem feito (e de boas atuações tanto de veteranos como Albert Brooks, Ron Perlman, como dos mais jovens Carey Mulligan e  Ryan Gosling). Se você gosta de filmes de ação, vá ver, pelas perseguições e pela porradaria intensa. Se você gosta de dramas românticos, vá assistir, pelo romance semi-platônico entre o personagem principal e a mocinha. Agora, se você é viciado em filmes *e* viciado em carros, vá ver já. Hoje. É um filme “must-see” para essa categoria de gente, à qual eu me incluo.

Mais: Eu ouso apostar que é um filme que vai se tornar cult rapidinho. E merece, tranquilamente, o título de Bullitt de nossos tempos. (E talvez seja até melhor como filme do que o clássico de McQueen).

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Vamos aos carros:

1) No começo do filme, o primeiro carro usado por The Driver é um Chevrolet Impala 2011 3.6, que, de fábrica, vem com 302 cv de potência; contudo, o mecânico manco (tá vendo!? mais um clichê!) amigo do protagonista adiciona um turbo no motor, que gera 100 cv adicionais de potência;

2) No segundo roubo do filme, há uma perseguição entre um Chrysler 300C SRT-8 2009 (dos bandidos) e um Mustang GT 2011 (carro do Driver); o Fiat Chrysler têm motor de absurdos 425 cv e 6.1 L V8; já o Mustang têm o clássico motor com configuração 5.0 V8, com 300 cv de potência. Mesmo assim, adivinha quem levou a melhor durante a cena…

3) O carro de passeio que o protagonista usa para dirigir e se locomover quando não está à serviço é um Chevrolet Chevelle Malibu “Collonade” cupê de 1973. Esse carro possuía seis motorizações diferentes, que iam de um 4.1 6 cilindros em linha até um 7.4 V8 (versão SS), e as transmissões podiam ser mecânica de 3 ou 4 marchas ou automática de 3 marchas. As potências variavam de míseros 110 cv (versão seis cilindros em linha) até 245 cv (versão SS); como no carro do filme não há nenhum tipo de emblema, não tenho como saber qual foi a versão usada, mas, por conta da tônica do filme, imagino que seu carro estava para uma potência mais assemelhada ao SS do que à versão mais fraca.

PS: Esse filme, infelizmente, está em cartaz em poucos cinemas e, creio eu, não demorará muito para sair do circuito. Quem quiser assisti-lo, que não demore muito…(fim-de-semana que vem deverão ter umas 5 salas ainda mostrando)

Dirigindo uma estrela

Em dia de Oscar 2012, faço uma homenagem a um dos diretores mais divertidos dos últimos 20 anos, e a uma de minhas marcas favoritas.

Guy Ritchie (de Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes, Snatch, Rock & Rolla; ah, e aquele Sherlock Holmes) dirige sua ex-esposa, Madonna num curta feito para a BMW. No carro, quem dirige ela é o ator britânico Clive Owen (de Closer e Rei Arthur).

Owen faz o papel de um motorista que tem que levar uma estrela (sim, você adivinhou: a estrela é a própria Madonna) arrogante e metida de seu hotel até um show, à bordo de uma BMW M5. A impaciente estrela enche o s*** de seu monossilábico chofer. Vejam o que acontece:

Por trás de Velozes e Furiosos

O ator Vin Diesel em Velozes e Furiosos (2001)

Todo mundo sabe que Velozes e Furiosos é um filme de 2001 que começou uma onda de atração e entusiasmo que ajudou muito a indústria nacional de autopeças. A coqueluche criada pelo filme trouxe (ou popularizou) o tuning e o assunto das corridas de rua ilegais.

O filme rendeu quatro continuações, a última, inclusive, filmada por aqui.

O que poucos sabem, porém, é que a ideia do filme veio de um artigo da revista de cultura urbana VIBE. Publicado em 1997, o texto, intitulado RACER X, conta a história real das corridas de rua e dos rachas de Nova York. O personagem principal foi a inspiração direta para o personagem de Vin Diesel, Dominic Toretto.

O texto não é dos mais fáceis de se encontrar na Internet. Para os que são aficionados pelo filme, para os que têm curiosidade em saber mais sobre o fenômeno do tuning e ainda para aqueles que se interessam pela cultura dos racheiros, abaixo disponibilizo a *única* versão do artigo traduzida para o português.

Have fun!

Os Dez Melhores Filmes sobre Carros (e competições)

1. Grand Prix (1966) – Filme magistral sobre o cenário da Fórmula 1 nos anos sessenta. A cinematografia e os takes das corridas são inacreditáveis – graças ao talento do consultor visual Saul Bass. A película inclui sequências de imagens de corridas reais e participações especiais de pilotos como Phil Hill (um dos melhores pilotos americanos de F1 campeão em 1961), Graham Hill (bicampeão mundial, pai de Damon), Fangio, Jim Clark, Jochen Rindt e Jack Brabham. Outros pilotos aparecem, ainda que rapidamente, como Bruce McLaren (que criou a escuderia de mesmo nome), e Jo Bonnier.  Os circuitos filmados são  Monte Carlo/Monaco, Clermont-Ferrand (FRA), Spa-Francorchamps (BEL), Zandvoort (NED), Brands Hatch (ING) e Monza (ITA). Os protagonistas foram criados baseados em pilotos reais, assim como algumas escuderias. As principais equipes mencionadas no filme são a BRM, a Ferrari e a Yamura, esta última, metaforizando a Honda. Já os pilotos Scott Stoddard (interpretado por Brian Bedford) e Pete Aron (interpretado por James Garner), ambos, ao início da película, da BRM, foram inspirados – respectivamente – em Jackie Stewart (Stoddard usa o mesmo capacete que o ‘escocês voador’) e o neozelandês Chris Amon.

2. Corrida contra o Destino (1971) – Filme cult que conta a história de um ex-piloto que trabalha como entregador de carros para uma oficina mecânica que atende toda a Costa Oeste americana. Seu trabalho é levar um Muscle Car de Denver, Colorado, até San Francisco, Califórnia em 1 dia. Segundo o Google Maps, são 2 mil km de distância, e leva-se no mínimo 19 horas para fazer o caminho, ou seja, ele teria que correr. E muito. É o que ele faz. Até que aparecem….os tiras. (final dramático cortesia minha). Estrelando: um Dodge Challenger 1970

3. Bullitt (1968) – Lendário filme sobre um tenente da polícia de San Francisco (Steve McQueen) que planeja descobrir quem encomendou o assassinato de um chefão da máfia que estava sob sua custódia. As cenas de perseguição pelas ladeiras de San Francisco são célebres. Estrelando: Um Mustang V8 390 CID de 325 cv fastback verde 1968 (carro do protagonista) e dois Dodge Charger 440 CID com 375 cv 1968;

4. Cannonball – A Corrida do Século (1976) – Filme estrelando David Carradine que deu origem a outras filmes sobre ‘cannonball racing’, que eram verdadeiras competições automobilísticas, comparáveis a rachas, nas quais os competidores deveriam cruzar os EUA de Los Angeles até Nova York. Suas principais regras eram: velocidade mínima de 55 Mph (90 km/h) e cada veículo precisava dar um jeito de tirar os outros da pista, atrasando seu progresso. Quem chegasse primeiro até NY ganhava a corrida. Claro que os ‘tiras’ não gostavam nem um pouco disso, e rolam perseguições. Estrelando: Vários carros: Um furgão comercial, um Lincoln Continental, um Dodge Charger 1975, um Corvette 1974, uma Chevrolet Blazer 1973

5.    As 24 Horas de Le Mans (1971) – Filme nos moldes de Grand Prix, mas sobre a corrida de 24-horas de Le Mans, com Steve McQueen. Estrelando: Ferrari 512, Porsche 917 e um Porsche 911S.

6.    Sem licença para Dirigir (1988) – Filme que iniciou minha paixão por carros e que mostra bem o que o ato de dirigir pode significar para um adolescente. Estrelando: Um Cadillac Sedan De Ville 1968 azul claro metálico;

7.            À Prova de Morte (2007) – Filme dirigido por Tarantino que é um misto de filme de suspense/terror com película que homenageia os célebres filmes de carros, como Bullitt e Corrida contra o Destino. O psicopata ex-dublê de cenas de perseguição de Hollywood  Mike McKay viaja pelo sul dos Estados Unidos dando carona a jovens garotas em seu carro, um Chevrolet Nova 1971 preparado para proteger o motorista. Só o motorista. No final do filme, duas garotas dublês arranjam um Dodge Challenger 1970 branco, igual ao do filme Corrida contra o Destino, e perseguem o dublê-vilão. Estrelando: Chevrolet Nova 1971 e um Dodge Challenger 1970.

8.            Velozes e Furiosos (2001) – Filme sobre o submundo das corridas urbanas ilegais, conta a história de um policial que se infiltra nesse cenário para pegar uma gangue de assaltantes de cargas que usam Civics envenenados. Estrelando: Um Mitsubishi Eclipse 1995  RS 420A e um Mazda RX-7 (aquele com Propulsor Wankel) 1993, ambos envenenados, com pinturas escalafobéticas e néon no carter.

9. Caçador de Morte (1978) –  Filme dirigido pelo ótimo Walter Hill,  (e um belo exemplo de traduções toscas para o português) sobre um ex-piloto profissional que ganha a vida dirigindo carros para fugas de bandidos de roubo à bancos. Estrelando: Diversos carros, uma Mercedes-Benz 400 SL 1977, uma Picape Chevy, uma Ranger 1978 e um Camaro 1978.

10. A Máquina dos Sonhos (1991) – Afinador de piano sortudo ‘ganha’ um Porsche 911 Carrera 1990 de presente após coroa suspeitar que marido a está traindo. As cenas dele dirigindo o carro depois de ganha-lo são cafonas, mas mostram o entusiasmo que um carro desses pode dar. Um dos filmes que me influenciou a virar um auto-entusiasta, embora, como filme, seja bem fraquinho.


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